…E os quadrinhos encontraram Tiazinha

 
Um estranho casamento entre o mundo das histórias em quadrinhos e a TV aconteceu em 1999, quando a Rede Bandeirantes de TV levou ao ar uma série centrada na personagem Tiazinha. A série contou com o envolvimento da Fábrica de Quadrinhos na concepção visual, efeitos especiais e roteiro.




Suzana Alves havia estourado na mídia ao aparecer como a personagem Tiazinha em 1998, como assistente de palco de Luciano Huck que, na época, comandava o programa “H” na Band. Tornou-se um símbolo sexual, exibindo-se no programa (e posteriormente em revistas masculinas) vestida apenas com espartilho, máscara e chicote.


Porém, uma vez que o visual da personagem era o que de melhor ela tinha a oferecer, a situação de atuar numa série se mostrou muita responsabilidade para a moça. Ficou ainda mais estranho porque os envolvidos no programa queria imprimir um tom super-heróico e lances de ficção científica e levavam a história toda mais a sério do que deveriam, enquanto a audiência sentiu saudades de ver Suzana rebolando em trajes sumários no programa do Huck.

Os planos eram grandiosos: “Queremos que a Tiazinha seja a referência para super-heroína brasileira, assim como a Mônica é do quadrinho infantil nacional”, me disse na época Rogério Vilela, um dos diretores da Fábrica, em entrevista para uma reportagem que produzi para a Revista Super Séries. Calhou da produção mudar antes da estreia e, como a revista fechava com antecedência, produzi outro texto com as modificações para a edição seguinte.
 
Mais abaixo disponibilizo imagens das reportagens como saíram na revista. Mas eis uma versão resumida: a primeira ideia era que a personagem fosse uma mestiça de índios e brancos treinada por um pajé maligno. A garota se revoltaria com o mestre e passaria a agir como combatente do mal, ao lado de seu cão mascarado Tio. Na versão que foi ao ar, no futuro, Suzana era SU-013, garota órfã e pobre escolhida que se rebelava contra o sistema e se refugiava numa zona sem lei, tornando-se apresentadora de TV e, às escondidas, combatendo o mal como Tiazinha.
 
A ideia era mesclar ação filmada com cenas de quadrinhos e efeitos especiais. Cada programete diário tinha 10 min e cinco deles constituíam um episódio. A Tiazinha, inclusive, por vezes aparecia mais vestida que no programa H. O resultado? Bom, você pode conferir pela internet (inclusive abaixo). 
 
 
Creio ter sido uma oportunidade desperdiçada de aproveitar a boa vontade dos envolvidos em unir a linguagem e o universo dos quadrinhos ao sucesso astronômico da modelo-atriz (muito antes de Casa dos Artistas ou dela ser notícia por ter filmado um disco voador). 


A série poderia ter aproveitado melhor as possibilidades da personagem, sem se levar a sério demais e muito menos sem envolver ficção científica (que não combinava em nada). Talvez tivesse representado um ganho para o mundo das HQs e não a vergonha alheia que se tornou.

 
O seriado logo seria cancelado, mas a relação de Suzana com a Fábrica de Quadrinhos continuou, de modo que o estúdio colaborou na produção de uma edição especial estilo fotonovela para a Playboy. Na revista Tiazinha enfrentava o conde Drácula e a “história” propiciava diversas situações para que ficasse nua, o que agradou muito mais os fãs da garota.

PS: tinha programado este post mais pra frente, mas resolvi antecipar por conta da matéria do Universo HQ sobre quadrinhos de celebridades, que citou exatamente esta Playboy da Tiazinha, entre outras.

Clique nas imagens das reportagens para lê-las e, mais abaixo, fique com outras imagens do seriado.

Reportagem sobre a primeira versão, na Super Séries nº 4  (clique para ampliar)
 

 

Reportagem sobre a versão definitiva, na Super Séries nº 5 (clique para ampliar)
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