iPad, quadrinhos e matemática


Nem Big Brother, A Fazenda, nem nada. O assunto da semana é o iPad, o novo tablet da Apple.

A expectativa mundial é se o gadget transformará o mercado de impressos como o iPod fez com o musical. Mas a ideia de Steve Jobs é posicionar o aparelho entre celulares turbinados e os notebooks. Aliás, ele nem precisaria dizer isso, que se conclui numa passada de olhos pelas características que lembram um iPod Touch maior, um tamanho de tela mais adequado para leitura de e-books, por exemplo.

E como ficam os quadrinhos nessa história?

Só especulação, por enquanto. Na verdade, o iPad não é uma tecnologia revolucionária, mas confirma a tendência de produção de aparelhos à altura da portabilidade e praticidade de uma das maiores invencões humanas de todos os tempos: o papel. O Kindle, da Amazon, puxa a fila dos e-readers, em franca ascenção no mercado.

Embora a digitalização de livros seja coisa possível há décadas, falta ainda uma forma de disponibilizá-los de forma adequada para leitura. Ler numa tela de computador ou laptop é maçante. O celular ganha em portabilidade, mas perde em tamanho de tela. Úm e-reader seria o caminho natural, mas aparentemente só agora a indústria se voltou para criar aparelhos mais baratos para suprir esta demanda.

O iPad avança um pouco nesta área. Enquanto o Kindle aparentemente traz um maior conforto de leitura pela tecnologia empregada na tela (que não cansaria muito os olhos como a de um computador), só traz imagens em preto e branco e funciona por meio de botões. O dispositivo da Apple traz a cor à leitura e vai além, com touch screen e programas que o aproximam da multifuncionalidade de um computador. Ele não permite utilização de dois recursos ao mesmo tempo, mas já abre caminho para a popularização de recursos multimídia num formato e preço mais adequados para que a portabilidade seja melhor aproveitada.

Se no exterior a oferta de títulos em inglês para o Kindle já faz a festa da Amazon, no Brasil, a coisa anda longe. Tirando o best seller Paulo Coelho, há pouca coisa ali na língua de Camões a se adquirir. Se nem os livros, que teriam uma produção mais fácil, engatou, imagine os quadrinhos...

De todo o modo, parece que a hora é agora. Se algum quadrinista ainda não tinha pensado seriamente nas possibilidades dos quadrinhos digitais na internet, certamente o fará ao vislumbrar outras plataformas de exibição para sua arte, como celulares e os e-readers. E quanto mais gente pensando, quebrando a cabeça buscando modelos para fazer a coisa funcionar, maior a chance da solução ser descoberta, não? E o caminho se abre não apenas para quadrinhos estáticos, mas aqueles interativos (do tipo “final da HQ de acordo com suas escolhas para o personagem”), com áudio e sei lá mais o quê.

Neste meio tempo, como dizem que jornalistas adoram números, fiz umas contas. O iPad basicão (16 GB) será vendido nos EUA a US$ 499 (R$ 913,17), ainda sem previsão do preço por aqui. Tomando como comparação o preço do iPod Touch de 16 GB - sai 3,07 vezes mais no Brasil (o equivalente a R$ 411,74 lá e R$ 1299,00 aqui) – sairia na casa dos R$ 2.885. Claro que não é um cálculo exato, mas mesmo a Folha Online estimou o custo do Ipad 3G em torno de R$ 2 mil. É um preço de um computador nem tão básico assim, ou seja, está bem distante de substitui-lo numa atividade corriqueira como a leitura. Aí eu viajei na maionese e calculei alguns quadrinhos (impressos) que poderiam ser comprados com este valor que estimei:

- 103 exemplares de Asterix – A Cizania

- 63 exemplares de Maus, de Art Spielgman

- 144 exemplares de A Piada Mortal, escrita pelo Alan Moore

- 84 exemplares de The Umbrella Academy, desenhada pelo Gabriel Bá, dos 10 Pãezinhos

Viagens à parte, outros aparelhos virão, como parece estar em produção como o do Google. Por isso pergunto: e você, que projeção faz para os quadrinhos no Brasil e no mundo, com o advento do iPad e de outras tablets e e-readers?

Gostou do texto? Então vote nele no diHitt .


1 comentários:

Sebalopdel disse...

Bom dia Sr. Ricardo S. Tayra

Escrevo de Angola e quero dizer-te que adorei o teu texto muito dinamico e abragente.

Faço banda desenhada (HQ no Brasil) e em ainda em 2000 eu visualizei um HQ digital, dinamico e interativo, mas infelizmente viver no terceiro mundo sem recursos para textes cientificos ficamos de mãos atadas.

Continuação de um bom dia.
Sebalopdel

Posts Relacionados